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18 abril 2021

Tecnologia e Responsabilidade: reflexões éticas, jurídicas e educacionais


Em março de 2021, os professores André Martini e Tiago Eurico de Lacerda organizaram e publicaram a obra: TECNOLOGIA E RESPONSABILIDADE: reflexões éticas, jurídicas e educacionais.
Essa obra apresenta uma leitura acadêmica e coletiva sobre o fenômeno da tecnologia e suas implicações sobre a vida humana. É fato que ela vem proporcionando uma série de conquistas em diversas áreas do conhecimento, incorporando-se ao cotidiano da sociedade contemporânea como condição para a sua sobrevivência. Em função disso, propomos a presente leitura como uma fonte de inspiração para a compreensão da responsabilidade do homem. Em linhas gerais, visamos equacionar o mundo tecnológico face à responsabilidade que naturalmente nasce com ele, pois contar apenas com os valores de um mundo competitivo é temerário. Esperamos, assim, que ao desbravar a presente coletânea de capítulos, o leitor não só perceba o papel da tecnologia para o aprimoramento do padrão de qualidade de vida da humanidade, mas também se atente para a forma como ela deve ser conduzida: responsável.

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29 novembro 2020

Ética e política no âmbito da Filosofia Moderna


 

Tiago Eurico de Lacerda [1]

 A primeira atividade que nos exige a modernidade é uma desconstrução do mundo em que os aspectos religiosos, eternos e imutáveis são deixados de lado, mas ao mesmo tempo são parte do processo para se entender este momento da história. Não se pode falar de modernidade apenas com os predicativos de algo transitório, fugidio ou contingente. Ambas as realidades, por mais que contraditórias, se complementam para entendermos a modernidade. Segundo Harvey, “ser moderno é encontrar-se num ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, transformação de si e do mundo – e ao mesmo tempo, que ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos” (2009, p. 21). A modernidade une a humanidade, mas esta ainda precisa aprender a coexistir e a conviver com as suas diferenças.

As premissas de Weber sobre o desencanto que a secularização proporcionou ao encontrar um mundo que ainda acreditava na concretização de um projeto divino ainda ecoam entre nós. Touraine nos adverte que para falar de modernidade é preciso que “a atividade intelectual seja protegida de propagandas políticas ou de crenças religiosas, que a impersonalidade das leis proteja contra nepotismo, o clientelismo e a corrupção” (1994, p. 18), ou seja, que a própria administração, seja ela pública ou privada, não seja instrumento de um poder pessoal. Precisamos compreender que a ideia de modernidade está relacionada à racionalização.

Habermas em suas obras ressalta aquilo que chamamos de moderno como um projeto de um esforço intelectual (todavia dos pensadores iluministas) para desenvolver uma ciência objetiva que proporcionasse uma emancipação do homem. Para que ele se libertasse da escassez, da necessidade, e das  arbitrariedades das calamidades naturais, ao mesmo tempo em que também se libertaria de toda a irracionalidade do mito, das superstições, da religião. É um momento profícuo para revelar as qualidades talvez tidas como obscuras do homem, mas também universais, eternas da própria humanidade. No mesmo compasso tal busca por uma emancipação do homem pode se tornar numa linguagem própria da Dialética do Esclarecimento, um sistema de opressão universal em nome da libertação humana, uma ilusão como nos adverte Adorno e Horkheimer ao refletir que a lógica que percebemos sob a racionalidade iluminista não passa de uma lógica de dominação e opressão.

Corroborando com nossa argumentação, Viesenteiner afirma que o século XIX “é marcado pela falência generalizada das principais narrativas que sustentam a cultura ocidental” (2010, p. 89). Pois aquilo que presenciamos como uma tentativa de unidade da razão como domínio tanto sobre a vida e o mundo está em crise, ou seja, a razão não é capaz de responder às questões basilares da vida humana. A questão aqui é nada mais que o panorama de uma crise ética, pois é notório o esvaziamento de significados das perspectivas e valorações morais que se cultuaram por séculos. E para um problema ético impregnado na cultura, precisamos de um “médico da cultura”, ou seja, de um diagnóstico das condições culturais do século XIX. Nietzsche, também conhecido junto com Marx e Freud como filósofos da suspeita, elabora a leitura, o diagnóstico dessa crise da ética.

Grosso modo, tal diagnóstico pode ser considerado a partir do conceito de niilismo, que segundo Viesenteiner é “a mais indesejada visita que a cultura ocidental recebe”, e ainda acrescenta que sob o ponto de vista do esvaziamento da vida e dos valores, é “o mais sinistro de todos os hóspedes” (2010, p. 91). A vida sem sentido se abre às inúmeras possibilidades de criação, ao mesmo tempo que também passam a ser criações de ilusões. Tudo se torna artificial, mercadológico. Se compra a felicidade com as ilusões do mercado e a compulsão de domínio do homem não para por aí. Ele quer dominar cada vez mais para se sentir pertencente, seja a vontade de poder aos moldes nietzschianos ou a própria vontade da técnica numa linguagem Jonasiana.

Se o homem agir conforme sua vontade sem sequer olhar as consequências das suas ações não teremos um mundo para convivermos ou coexistirmos no futuro. A perspectiva ética tratada até aqui é quanto à responsabilidade não somente no âmbito interpessoal (ética deontológica kantiana), mas em relação à toda condição possível para se viver bem sobre a terra hoje e no futuro. Segundo Marcondes, “Weber formula sua célebre distinção entre ética da convicção (Gesinnungsethik) e uma ética da responsabilidade (VerantwortungsetfiiK)” e vai privilegiar esta última, pois Weber a considerava “mais crítica, preocupada com a prática e adequada à tomada de decisões no mundo político” (2009, p. 118). Enquanto isso, a ética da convicção tende a ser mais rígida e dogmática.

É preciso pensar a dimensão política, desde os gregos para entendermos como essa relação entre ética e política funciona hoje. Se antes, na Grécia antiga, a política pretendia ser um instrumento para o bem comum, agora, principalmente depois de Maquiavel, percebemos que a essência da política se encontra na disputa e manutenção do poder. Mas como encontrar na sociedade hodierna uma política que tenha nascido da ética e ao mesmo tempo aponte caminhos inspirados no eudaimonismo aristotélico?

A resposta para essa questão não é tão simples. Antes de mais nada para elaborarmos hoje uma discussão ética e política contextualizada e séria é preciso levar em consideração dois aspectos discutidos na obra, Ética: abordagens e perspectivas, organizada pelo professor Cesar Candiotto, que são: diversidade e pluralidade. Quando pensamos que existimos, primeira descoberta do método de Descartes, “eu sou um ser pensante”, precisamos também entender que há um outro que não eu, mas também existe. Daí já caminhamos para a concepção da diversidade, nós coexistimos com nossas diferenças. E depois dessa compreensão preciso admitir que esse outro além de existir e não ser eu, pensa de uma maneira distinta da minha, pluralidade.

Ao tentar padronizar a imagem humana, extinguir a diversidade de etnias e elaborar uma ditadura do pensamento é que vimos muitos povos serem exterminados. Presenciamos uma eugenia em detrimento de características “menos nobres” e muitos aplaudiram na época, ainda nos perguntamos: como? Mas hoje, com a polarização política inserida na cibercultura com todas as veiculações de Fake News fica fácil entender épocas sombrias em que à razão humana era creditada o poder de domínio. O cenário brasileiro das últimas eleições presidenciais para cá apresentou o próprio diagnostico nietzschiano do niilismo em que as pessoas perdidas de seus valores e dominadas pela ilusão aos moldes das ideias de Horkheimer, preferem o nada a querer algo.

Tal cenário foi percebido por uma política fundamentada numa ideologia que conseguiu fazer com que a classe trabalhadora percebesse que mesmo estando numa desgraça social imensurável, preferiram adotar os valores da classe dominante e votar em propostas que vão ao encontro da precarização do trabalho, único meio que as pessoas (trabalhadoras) possuem para subsistir e sentirem-se inseridas na sociedade. O candidato vencedor chegou a dizer: “escolham, ou trabalho ou direitos, ambos não é possível”. E mesmo assim ganhou as eleições. Será que podemos discutir uma ética que em algum momento tenha buscado uma Eudaimonia grega nos tempos atuais? A modernidade não trouxe apenas a desfragmentação do homem, mas o lançou no caos existencial. Por isso por pouco ou por nada, alguns se lançam às cegas em ideologias contraditórias com os valores do bem comum, mas ainda acreditam estarem fazendo o melhor para si e para o seu país.

Como considerações finais podemos afirmar que mesmo pensando a partir da modernidade é de fundamental importância, como muitos modernos o fazem, um olhar para as origens da política e buscar uma compreensão, seja no âmbito do saber teórico ou prático, para entendermos a atual realidade de nosso país e do mundo. Assim, será possível a partir de uma prática prudencial ou como os próprios gregos utilizavam o termo, phronesis, fazer um melhor discernimento ético de como poderemos guiar com sabedoria o homem nesses novos caminhos de uma ética e política que estão em constante transformações conceituais dentro da história.

[1] Currículo Lattes 

 REFERÊNCIAS


HARVEY, David. Condição Pós-moderna: uma pesquisa sobre as origens da mudança cultural. 18. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2009.

TOURAINE, Alain. Crítica da modernidade. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 1994.

VIESENTEINER, Jorge L. Nietzsche e o niilismo como diagnóstico da crise da ética. In.: CANDIOTTO, Cesar. Ética: abordagens e perspectivas. Curitiba: Champagnat, 2010.

MARCONDES, Danilo. Textos básicos de Ética: de Platão a Foucault. 5. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

 

Para citar esse texto:

LACERDA, Tiago Eurico de. Ética e política no âmbito da Filosofia Moderna. Londrina, novembro de 2020. In.: Tiago Lacerda. Disponível em: http://www.tiagolacerda.com/2020/11/etica-e-politica-no-ambito-da-filosofia.html.

 

26 novembro 2020

A Teoria Crítica e implicações para a arte


 Tiago Eurico de Lacerda [1]

 

Para uma compreensão didática de nosso percurso textual, faz-se importante destacar o contexto do nascimento da Teoria Crítica. Não poderíamos desenvolver um raciocínio neste sentido, sem o conhecimento sobre o seu berço: os pensadores da Escola de Frankfurt. Os principais interlocutores desse pensamento são bem representados por Max Horkheimer, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamin, Erich Fromm e, numa segunda geração dessa escola, Jürgen Habermas, dentre outros. As discussões estão situadas dentro de um período histórico marcado tanto pelo nazismo quanto pelo stalinismo e pela Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, desde 1925, os principais temas abordados por esses pensadores são: a questão da autoridade e autoritarismo, totalitarismo, cultura de massa, liberdade, de modo que podemos dizer que todos esses temas confluem para uma compreensão do papel da arte, que também desempenha um sentido social, político, filosófico em oposição a todo pensamento advindo de uma teoria tradicional desenvolvida por pensadores desde Descartes, que exaltaram a razão de tal modo, mas se esqueceram, segundo os frankfurtianos, que não aderimos inocentemente à razão e que ela, na contramão do que se imagina, pode ser um instrumento de dominação.

A Escola de Frankfurt promovia, em âmbito universitário, investigação científica a partir da obra de Karl Marx. Seu pensamento e método, especialmente, sua visão sobre a crítica da economia política tornaram-se referência para a Teoria Crítica. Tal empenho em pesquisar o marxismo nas universidades era uma ousadia acadêmica diante de uma linha de pensamento marginalizada praticamente em todo o mundo e em universidades na época. Para contornar as vicissitudes e desafios em empreender tal ideia, Horkheimer lutou para que as ciências humanas ganhassem mais autonomia e independência. Para alcançar esse objetivo, foi preciso uma valorização da interdisciplinaridade que abarcasse as várias especializações em seus aspectos positivos e, como referência comum, teriam a tradição marxista. Esse programa de pesquisa empreendido por Horkheimer ficou conhecido como Materialismo Interdisciplinar.

 Usamos até agora a palavra escola, mas sabemos que ela não é muito apropriada, pois pode dar um sentido de doutrina comum entre todos seus integrantes e não é isso que vimos na prática. Os diversos autores envolvidos nas pesquisas tinham o marxismo como referência comum, mas suas posições divergiam entre si. Por isso, o nome mais adequado no lugar de escola, seria Teoria Crítica, pois era constituído por um grupo que valorizava e estimulava a pluralidade de modelos críticos em seu interior. Assim, podemos dizer que a Escola de Frankfurt remeteria a um determinado momento da Teoria Crítica.

Quando pensamos nas críticas desses pensadores à sociedade, remetemos à ideia de ceticismo em relação à razão e à moralidade como elementos universais. Tal ceticismo precisa ser compreendido como uma suspeita, e ninguém melhor que Marx, Nietzsche e Freud para representar essa tríade da suspeita em relação à razão. Com o olhar agudo de cada um desses pensadores, podemos entender que toda a exaltação da razão esconde atrás de si um significado, uma vontade de poder e dominação, não aos moldes nietzschianos para efetivar forças, mas , para controlar, através do conhecimento, da ciência e da técnica, toda a natureza e transformá-la em favor do poderio do capital num predomínio de uma razão instrumental que pode levar a sociedade a uma barbárie representada pelos estados totalitários.

A Teoria Crítica foi importante para voltarmos, a partir do pensamento das humanidades, para as reflexões sobre o homem, não mais como um expectador da natureza como se pensava nas ciências naturais, mas, como parte integrante desse todo e que naquele contexto, ao mesmo tempo em que analisa seu objeto de estudo, ele faz parte deste objeto. Grosso modo, perde-se a objetividade das ciências naturais e, para não ficar com uma impressão de uma subjetividade sem norte, foi necessário a implantação de um método de investigação para separar as questões ontológicas das deontológicas. É preciso saber o que é o ser e diferenciá-lo do dever ser. Esse pensamento possibilitará uma abertura para as reflexões da práxis filosófica no sentido da tomada de consciência de classe.

Classe e consciência são articuladas dialeticamente. Assim, tanto as ideias quanto os valores estão situados dentro de um contexto material, enquanto as necessidades e interesses materiais estão situados dentro de um contexto de normas e expectativas. Por um lado, temos o modo de produção e, do outro, um modo de vida. Os valores não são nem absolutos, tampouco unilaterais, mas estão situados dentro de um sistema de valores sociais. A humanidade sob determinadas relações de produção identifica seus valores e interesses e percebe que são antagônicos, por isso luta e quer melhores condições. Por isso, a necessidade de se ter uma compreensão científica do ser humano pode ajudar, não somente a compreender o nascimento de tais valores e sobre como a sociedade quer que sejam, mas também de ajudar a própria humanidade a compreender a consciência de que muitos não estão, muitas vezes, em uma situação de privilégios, mas de opressão e exploração, fazendo-os mover-se a querer lutar, criar uma revolução para que essa situação transforme-se e possa construir uma nova história. Isso se dará em quatro níveis, a saber, econômico, ideológico, político e cultural.

Podemos, dessa forma, através do materialismo histórico, dialético e cultural, desvelar a historicidade do capital para mostrar que o capitalismo não é algo inato na sociedade, mas apenas uma etapa da história. E quando pensamos pela teoria dos valores chegamos à conclusão de que o antagonismo entre as classes é percebido dentro do capitalismo. Neste, a classe trabalhadora percebe que sua força de trabalho é moeda de troca, mas que não lhe permitirá crescer além de sua subsistência, devido às tensões existentes com os donos dos meios de produção. Por isso, o conceito de ideologia e alienação, para Marx, auxilia-nos na compreensão de que a racionalidade coberta revestida como salvadora da humanidade é o seu próprio tiro no pé, enquanto tenta esconder os artifícios dessa luta que privilegiam apenas uma parte, a dos dominantes.

Dentro da universidade pública, precisamos então entender que acreditar que o trabalho nos fará dignos da participação social é uma grande ilusão no sentido que compramos a ideia da classe opressora para que a tensão não se intensifique. Assim, temos um ser humano alienado, ele passa sua racionalidade e forma de pensar para o outro decidir por si. O pior é que essa alienação o levará a comprar a ideia, a ideologia da classe dominante, o que dificultará a efetivação da conquista de aumento de forças da classe trabalhadora dentro do processo dessa luta de classes. O resultado disso é a vitória do capitalismo e a distância de uma humanidade com sua dignidade assegurada. Por isso, a Teoria Crítica pretende que o homem desenvolva-se, torne-se consciente, criativo e forte para enfrentar os embates necessários para ter uma vida harmônica.

A decadência desse processo de enfraquecimento humano desencadeia-se também em outras áreas da vida humana como a cultura e a arte. Estas podem tanto tratar e representar a vida a partir de uma perspectiva de um socialismo democrático quanto assegurar a permanência das ideias capitalistas e reificar a vida humana para que seja, ela também, uma moeda de troca e nunca um valor em si. Assim sendo, na sequência dos pensadores da suspeita da razão, Nietzsche, em sua Genealogia da Moral, propõe um método para desmascarar o modo pelo qual os valores foram construídos. Ele percebe que, a partir do momento que o homem acredita que os valores foram dados misteriosamente ou religiosamente do além, o homem caí em decadência cultural, pois vai negar a própria humanidade em favor do sistema que o oprime. Essa opressão dá-se tanto pela filosofia (metafísica), quanto pela arte (romântica) e pela religião (cristã). Por isso, a ideia de Horkheimer sobre o materialismo interdisciplinar é válida aqui também, pois será pela utilização da história, psicologia e filologia que o homem, segundo Nietzsche, vai conseguir realizar um diagnóstico melhor de si mesmo e lutar pela vida em detrimento de tudo o que a torna uma coisa sem valor.

Na mesma perspectiva, Freud, com a descoberta do inconsciente, prova-nos que a razão que tanto foi louvada e creditada como a solução de nossos problemas não pode ser nossa resposta final, pois nós somos desconhecidos de nós mesmos. Ou seja, não comandamos nossos impulsos e instintos como imaginávamos, mas esse mundo inconsciente em nós ainda tem muito a ser explorado. Em razão disso, quando tentava entender sua paciente Ana O., Freud o fazia pelo caminho errado, querendo saber, ter razão do que ela estava falando, enquanto, na verdade, precisava saber o que ou quem estava falando em Ana O. Essa reação ao racionalismo iluminista é que nos abre as portas para entender que acreditar na razão como aquela que nos alcançaria a verdade e que a ciência com a tecnologia nos tornaria senhores de nós mesmos não passa de uma crença entre as demais. Substituímos uma gnosiologia por uma epistemologia, mas continuamos na crença de que as ciências naturais nos dariam as respostas tão esperadas e, no entanto, ainda estamos na espera desse acontecimento.

Sendo assim, precisamos alcançar, a partir da Teoria Crítica, uma razão cognitiva em detrimento de uma razão instrumental. Não estamos mais em tempos de crer que somos superiores à natureza e podemos dominar sobre ela e promover a competitividade selvagem como promove o capitalismo. A razão cognitiva, segundo o pensamento de Horkheimer, leva-nos a uma busca da verdade, mas de saber viver como humanos, com sabedoria com os outros homens e também com a natureza. O irracional leva-nos ao domínio dos outros e da natureza em prol dos lucros, colocando a ciência como serva do capital, fruto de uma razão instrumental.

O que a Teoria Crítica espera de nós é que, como homens e mulheres autônomos, possamos encontrar nossa emancipação de todas as explorações do sistema que chegam a nós de maneira naturalizada, como se a própria razão desse seu consentimento para essa artimanha que nos leva ao sacrifício individual e coletivo, enquanto nos desencoraja no enfrentamento de forças para que a estrutura e a luta de classes não se desfaçam, mas reforcem as suas diferenças. A Teoria Crítica é uma prática de desmascaramento de toda ideologia que a racionalidade  interpela-nos a crer. O homem que se liberta dessa vontade de verdade e passa a uma vontade de vida reencontra sua consciência e percebe que toda estrutura proporciona os fundamentos da injustiça. Diante dessa descoberta, ele luta não somente diante da ambiguidade de forças das classes sociais, mas ele busca a própria humanização e dignidade. Há agora, neste homem, uma capacidade de desenhar conscientemente sua vida social a partir de um pensamento socialista organizado, que capacita o homem a alcançar tanto a responsabilidade quanto a liberdade da própria existência.

Como considerações inconclusivas, podemos lançar mão da metáfora nietzschiana sobre a dança, pois, para Nietzsche, a dança amolece o corpo, faz com que o homem baile, mas o que faça acima das palavras. Por isso, as palavras, conceitos são para serem utilizados e superados. O homem que permanece escravo das palavras e não pode bailar sobre elas é dominado por elas também. Para que essa liberdade dê-se tanto interna quanto externamente é preciso da arte, da dança, dos movimentos, o que ratifica toda nossa argumentação em relação à Teoria Crítica. Ou seja, sobre as palavras lançadas pelo sistema, precisamos bailar sobre elas, superá-las e não deixar que elas sejam senhoras em nossa vida, para tomar as rédeas da própria vida e ser senhor de si, é preciso então suspeitá-la, suspeitar da verdade dada, revelada, e buscar, com a dança, a própria verdade dos movimentos do corpo, a retomada da consciência sobre dizer sim à vida. E não nos enganemos quanto à facilidade da metáfora, a arte é dolorosa, basta olhar os pés de uma bailarina e se verá que, por trás da beleza dos movimentos, há dor. Assim, por trás da liberdade e beleza da vida humana em busca de dignidade e liberdade, haverá sempre uma luta, neste caso, é melhor que seja pela consciência de classes.

[1] Currículo Lattes.

Para citar esse texto:

LACERDA, Tiago Eurico de. A Teoria Crítica e implicações para a arte. Londrina, novembro de 2020. In.: Tiago Lacerda. Disponível em: http://www.tiagolacerda.com/2020/11/a-teoria-critica-e-implicacoes-para-arte.html.

30 anos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente): há o que comemorar?


 André Martini [1] 

Tiago Eurico de Lacerda [2]

Considerando os fatores que justificam a existência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), como a deficiência moral da sociedade, do Estado e das famílias ao negligenciarem sua função protetiva, talvez o termo “comemoração” não soe o mais adequado para  referir os 30 anos da sua vigência. Comemorá-lo equivaleria a celebrar uma vitória que ainda não ocorreu, sobre uma luta que sequer deveria existir.

Tal observação não tem o condão de descredibilizá-lo, pelo contrário, havendo condutas que contrariem o senso de humanidade e ética, é imperativo o dever estatal de criar normas regulamentadoras que coadunem com os interesses sociais. É nessa esteira que se encontra o ECA: uma norma com vistas a resolver o cenário de irresponsabilidade da tríade sociedade, Estado e família.

Esse cenário iniciou-se com a colonização do Brasil, que, guiada pelos valores da modernidade, como a acumulação de capital e o liberalismo econômico, transformou negros e indígenas em escravos, tratando-os como mercadoria e submetendo-os a todo o tipo de violência. Nesse contexto, o fato de ser criança ou adolescente em nada correspondia à prerrogativa de proteção, em verdade, ocorria o proveito dessa situação para adestrá-los, o que lhes custava a separação do convívio com seus pais, a violência sexual, o trabalho forçado etc.

Com a abolição, que a propósito é outra norma cuja comemoração mostra-se controversa, a expectativa de se estabelecer um ambiente social favorável a esses sujeitos transformou-se em um problema tão severo quanto o que havia antes. Isto porque eles passaram a ser abandonados sem nenhum tipo de amparo, privados do trabalho em razão da raça ou classe, enfim “empurrados” para a periferia e forçados a viver na miséria, eis o processo de marginalização, fruto do controle social de classes, que vitimiza uma das figuras mais vulneráveis do cenário social: a da criança e do adolescente. Neste ponto, torna-se cristalina a percepção do desinteresse do Estado em promover políticas públicas, o desinteresse da sociedade de classes em ampará-los e, muitas vezes, não só o desinteresse, mas a própria impossibilidade das famílias (quando estas existiam) para subsidiar suas crianças e adolescentes.

Na medida que ocorria a marginalização, havia o crescimento avassalador de crianças e adolescentes em situação de rua ou em abrigos, exposição à fome, à violência sexual, mas também ao trabalho forçado, tanto na forma de “adoção” para fins de criadagem como para atender as demandas do narcotráfico. Embora sob uma perspectiva não humanitária, tal problemática social foi levada em consideração pelo Estado, de modo que, em 1927, criou-se o código de Menores, cujo enfoque direcionava-se à questão da higiene e saúde pública, em uma abordagem que criminalizava a pobreza. Em outras palavras, as crianças e os adolescentes passaram a ser “uma pedra no sapato” do Estado e da elite social, que, por si só, justificava a mobilização no sentido de criar uma norma regulamentadora. Repita-se: referida iniciativa não se relacionava com a ideia de humanitarismo.

Décadas seguintes, iniciou-se o movimento pós Segunda Guerra Mundial em prol dos Direitos Humanos, sendo estes aderidos por diversas nações, inclusive o Brasil. No entanto, sua criação não representou uma transformação na maneira como o Estado e a sociedade lidavam com a questão das crianças e dos adolescentes, sendo forçoso admitir que os Direitos Humanos não se prestavam a garantir nenhum tipo de proteção, eram ineficazes no Brasil. Não à toa, somente em 1988, com a promulgação da Constituição Federal e a previsão expressa de proteção às crianças e aos adolescentes, em seu art. 227, é que se pode vislumbrar um horizonte de transformação para aquela realidade social. Ainda assim, a regulamentação do dispositivo ocorreu apenas em 1990, com a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Assim sendo, o que antes mostrava-se ser uma ilusória expectativa de direitos passou a materializar-se na forma de um estatuto, comprometido com uma abordagem humanitária, pela qual se estabelece o direito às crianças e aos adolescentes do desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual, e social em condições de liberdade e dignidade. Do mesmo modo, o diploma legal tipifica condutas criminosas nas quais o público infanto-juvenil cotidianamente é vítima.

Nessa perspectiva, o Estatuto também dispõe os mecanismos aptos à garantia e efetivação desses direitos, incumbindo à sociedade, ao Estado e à família o dever de protegê-los. Não obstante, ele inova ao criar o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, os Conselhos Estaduais, Distrital e Municipais e o Conselho Tutelar, todos carregando em si determinada responsabilidade, seja no sentido de criar diretrizes ou promovê-las. Além disso, delega várias responsabilidades compreendidas na alçada de competência do Ministério Público e ao Poder Judiciário.

Todo esse aparato social e jurídico mostrou-se imprescindível ao longo desses 30 anos, dada a naturalização de circunstâncias desumanas para com este público, que vão desde a desigualdade social até condutas criminosas. Enfim, pode não haver motivos para comemorar o Estatuto, mas há motivos para acreditar que, através dele, a sociedade encaminha-se para uma nova percepção social e, quiçá, no futuro, venha a abraçar com legítimos afeto e cuidado quem nunca deveria ter sido abandonado.


[1] Currículo Lattes: André Martini

[2] Currículo Lattes: Tiago Eurico de Lacerda


Para citar este texto:


MARTINI, André; LACERDA, Tiago Eurico de. 30 anos do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente): há o que comemorar? Londrina, novembro de 2020. In.: Tiago Lacerda. Disponível em: http://www.tiagolacerda.com/2020/11/30-anos-do-eca-estatuto-da-crianca-e-do.html.

01 julho 2019

Estamos em greve, mas vai aula normal?



Estamos em greve, mas vai aula normal?
Prof. Tiago Eurico de Lacerda

Esta foi a pergunta que eu mais ouvi desde que as greves começaram. Os alunos curiosos pelo movimento de greve não paravam de me perguntar: “mas terá aula normal?”. Bom eu cansei de dizer que não teria aula no colégio, em nenhum colégio, mas muitos professores não aderiram à greve e foram “dar aula”, mas e agora? Se os alunos estão vendo seus professores no colégio e outros nas ruas, quem está certo? Essa foi outra pergunta que me tirou a paz e que me fez desabafar neste texto sobre sua possível resposta.
Mas antes de responder tal pergunta eu gostaria de fazer uma pequena reflexão. Vamos pensar em um médico que trabalha em algum posto de saúde. Ele geralmente trabalha “normalmente” quando as circunstâncias o permitem. Mas quando não há o mínimo para o atendimento ao paciente, não há sequer uma gaze para um curativo, não há como dizer que trabalhou “normalmente”. Esse médico uma hora vai parar o seu trabalho e exigir dos responsáveis o mínimo sobre a estrutura do seu local de trabalho para continuar. E se ele parar vai ouvir reclamações, mas as pessoas não estão vendo que não é a vontade dele parar, elas querem ver o médico lá, mesmo que não faça nada. Há médico no posto de saúde! Mas a presença dele naquele instante sem recursos mínimos é inoperante. Então não teremos atendimento “normal”. Imagina um dentista sem materiais adequados ou sem energia elétrica? Como fazer com os pacientes que estão esperando?
Mas quando falamos do professor achamos que ele deve mesmo diante das adversidades continuar seu trabalho porque escolheu a profissão por amor. O médico e o dentista não escolheram por amor? E o amor pagará nossas contas? E a dignidade de cada profissão? Por isso agora pretendo responder a pergunta acima: teremos aula normal? Teremos professor no colégio ou aula normal, digo isso em analogia ao médico no posto de saúde.
Bom, há muito tempo não temos aula normal! Há muito tempo entra governo e sai governo e a educação é a primeira a ser atacada. Há muito tempo escolas menores funcionam com o mínimo de funcionários e estes poucos precisam dar conta de tudo. Há muito tempo lutamos com instalações precárias em algumas escolas e que os professores precisam ignorar tudo isso porque está ali para dar a sua aula com amor etc.
Mas eu sou professor! Eu não estou ali para dar uma aula com amor. Eu tenho amor no que eu faço e no que escolhi como vocação, ou fui escolhido, não sei. Mas eu vendo cada aula minha para as escolas que me contratam, e vendo o melhor produto possível para que os meus alunos tenham qualidade na formação deles e que isso reflita um dia na escolha de suas profissões. Quando eu digo que não haverá aula normal estou dizendo que nos falta o mínimo para continuarmos nosso trabalho nas escolas, falta recebermos o que é direito nosso. Ninguém está mendigando um salário maior, queremos o que é justo, o que é relativo ao que estudamos, o que valoriza nossa presença nas escolas. Lutamos contra a mercantilização da educação pública. Não somos massa de manobra para nenhuma ideologização dentro da escola. Não podemos nos render às ameaças de governo ou às ameaças do mercado.
Não haverá aula normal! Falta educação por parte de muitos alunos para que a aula seja normal. Falta compreensão e humanização de muitos colegas de trabalhos para que as aulas sejam normais. Sofremos pela falta e nem sabemos mais como é viver sem ela, nos acostumamos a não ter o mínimo e achamos isso ótimo! Professores que não aderem às greves e não lutam pelos seus direitos, isso é aceitável, ou melhor, compreensível. Mas professores que colocam seus alunos contra os professores que estão em luta? Isso é deplorável. Isso mostra que a educação não pode vir de todos. Alguns estão em lugares errados, não deveriam trabalhar com gente. Porque trabalhar com gente, com alunos, com pessoas envolve nossa humanidade, isso falta em alguns.
E a humanidade por parte do governo? Bom, isso não se conhece mais. Colocam mais de 40 alunos dentro de uma sala de aula para que um professor em 50 minutos possa trabalhar os conteúdos do currículo. Um bom professor, se tiver sorte numa sala lotada terá uns 30 minutos ou menos de aula. E outra, o professor não pode adoecer. É tratado como um traidor, ou coisa pior, no mínimo é um vagabundo. Então mesmo estando mal enfrenta seus quase 400 alunos por dia, se tiver dois períodos de aula e que se dane sua saúde ou problemas pessoas. Nos tratam como máquina!
E por que você não procura outra profissão então? Termino com essa pergunta que de tão comum, se torna banal e leva muitas vocações a procurarem outra coisa para fazer. Quem perde são os alunos, as famílias, as escolas, quem perde sou eu professor em não ter como colega alguém que ama o que faz e sabe fazer com maestria o que estudou. Mas como todo ser humano esse professor que desiste, talvez porque adoeceu, é ignorado por muitos e doença é coisa séria, mas isso já seria assunto para um outro texto. Então: vai ter aula normal? Você acha que dá para ter aula normal?

27 julho 2018

Um aquariano ressignificando a sua escrita acadêmica dentro de seu próprio aquário: doutorado como terapia.




por Tiago Eurico de Lacerda
E-mail: tel.filosofia@gmail.com


Há muito tempo não alimentava o blog com meus textos, então decidi relatar uma experiência recente. Numa sessão de auto-hipnose com PNL (Programação Neurolinguística) eu coloquei o seguinte desafio: “gosto de escrever, mas no momento eu encontro um bloqueio”. Para contextualizar melhor meu desafio, estou terminando o meu doutorado e a escrita neste momento é o fruto visível que posso colher dos estudos feitos nos anos anteriores. Mas as coisas não funcionam simples assim. O “querer” não é suficiente para escrever uma tese, há uma vida nesse processo e todo o processo da escrita passa a ser também um processo terapêutico de descoberta de si. Voltando à minha descoberta, percebi que nas sessões terapêuticas utilizamos muito a imaginação e dialogamos conosco mesmo (ou melhor, com nosso inconsciente) o tempo inteiro para buscar respostas que sempre estiveram ali guardadas, mas, que no instante presente não sabemos utilizar tais recursos. Vou contar o processo da minha sessão (autossesão) e isso poderá colaborar com alguém no desenvolvimento de um autoconhecimento e superação dos desafios encontrados, serve até para destravar, fazer parir, um texto muito difícil de nascer. Eu poderia até intitular este texto como a maiêutica da liberdade, mas isso é outro “desafio” que talvez abordarei num outro texto.
A técnica que utilizei comigo é a “conversando com os sintomas”. Eu precisava descobrir o que estes “bloqueios” queriam me dizer, isso mesmo, me dispus a conversar com os meus “desafios”, assim, quem sabe, poderiam me ajudar a me compreender melhor. E nos instantes que eu tentei imaginar um objeto para simbolizar o meu desafio, isso faz parte do processo, eu vi imediatamente um grande aquário de vidro na minha frente. Eu olhava para o aquário e via que ele estava vazio e era transparente, mas em alguns instantes eu me via dentro deste aquário, sentado numa cadeira. Bom, olhando por fora eu via através do aquário, mas por dentro eu não conseguia ver o que estava por fora. Comecei a entender o porquê a imagem deste aquário simbolizava então os meus “bloqueios”. Dissociado da experiência eu fui ao teto para me ver de lá, e descobri uma coisa incrível, o aquário não tinha tampa! (Tive aquários em minha infância e eles tinham uma tampa, telhado para impedir que os peixes pulassem, acreditem, alguns ousavam!). E mesmo assim eu não tentava sair de lá, apesar de querer. E do teto, olhei para mim, deitado na cama, que era a posição em que eu estava para realizar esta técnica, e percebi que meu semblante era de alguém que naturalizou a prisão (o aquário turvo por dentro) e a romantizou de tal forma que a chamava de liberdade. Vou explicar melhor...
Fiz uma rápida analogia ao meu signo, aquário (não que eu siga o horóscopo, mas no intento de usufruir da imaginação ao máximo, pensei que seria interessante) e lembrei de algumas características que sempre ouvi falar sobre este signo: primeiro, porque pertencem ao grupo representado pelo elemento da natureza, ar. Segundo, que as características dos que pertencem a este grupo seriam: dinâmicos, sociáveis, pouco práticos, diplomáticos, artísticos, vendedores, geniais, intelectuais, podendo ser até frios em seu aspecto negativo. Mas o que isso tudo tem a ver? Aproveitei a imagem do aquário para pensar. Eu sempre imaginei que era livre, mas vivia pulando de um aquário para outro durante muito tempo da minha vida. Como assim? De dentro do aquário eu não via a realidade como ela era, pois, a vista era turva, mas de fora, todos me viam normalmente, inclusive alguns achavam que eu tinha as características supracitadas do meu signo, porque já me falaram, mas eu não achava isso.
Voltando à sessão... foi aí que eu desci do teto e “entrei” no aquário, neste instante eu era o próprio aquário olhando para o Tiago deitado na cama. Eu perguntava ao aquário porque ele era o meu bloqueio... e a resposta? Ele me disse: “não sou, ele (o Tiago) que pensa que sou o seu bloqueio”. Foi neste instante que o próprio aquário me mostrou o limite do vidro e me disse que nada impedia o Tiago de pular ou sair quando quiser, mas que ele estava acomodado. Perguntei também como ele (o aquário) poderia ajudar o Tiago? O que queria dele? E por que o Tiago sentia bloqueio para escrever? A resposta foi simplesmente assim: “ele cria os mundos, porque “não pode ver” o mundo como é daqui de dentro, assim, ele se refugia na escrita para elaborar mundos que fazem sentidos para ele, por isso vive de aquário em aquário, ressignificando o mundo para sobreviver constantemente. Consequentemente, ele bloqueia, sem necessidade, outras interpretações de mundo, porque criou em sua cabeça uma ideia de que o vidro o prende, ou que o vido é turvo de dentro para fora, mas isso não é verdade. ‘Turvo’ é a estratégia psicológica que ele criou para se livrar das críticas sobre o seu texto (o seu mundo). O medo da repreensão o fez não querer ver ou saber a reação da crítica (dos outros que estavam foram do de seu aquário), porque aprendeu um conceito errado de crítica na infância e ainda ouve os seus ecos”. Neste momento eu agradeci as palavras do aquário (meu insconsciente) e voltei ao teto, de lá a imagem do aquário havia mudado. Não era tão grande e de aspecto prisional como antes. Voltei ao Tiago que estava na cama e senti que algo havia mudado. Ao olhar, pela imaginação, para o aquário (seu bloqueio), ele estava pequeno, e cabia em suas mãos.
Ele poderia levá-lo para qualquer lugar e não foi preciso nenhuma estratégia mirabolante para pular ou quebrar os vidros, até mesmo porque o “aquário” faz parte da experiência de vida do Tiago, e é o objeto que o lembra que ele pode a todo instante transitar mundos diferentes e se expressar sem o medo da crítica alheia. E mais do que não temer à crítica, é esperar recebê-la (aguardar, no sentido de sabedoria), não no significado das que recebia na infância, mas na perspectiva de que são necessárias para crescer e melhorar. Agora os elogios lhe parecem mais turvos que a própria crítica e contempla as possibilidades de prosperar nas adversidades como parte da pluralidade de pensamento e crenças.
Mesmo que agora, olhando por dentro, a imagem do mundo e dos outros não esteja turva, o medo da adversidade se transforma em possibilidades. Escrever para não se confrontar é o mesmo que não se permitir a pensar, é o mesmo que se aninhar ao sistema e reproduzir e, não viver. Assim, a conversa com o meu “sintoma” me fez perceber que não é cortando o problema que resolvemos a questão, mas compreendendo as versões, entendendo o que o “desafio” quer de nós, pois nenhum desafio é eterno. Se ele vem, é porque quer comunicar algo, sabendo disso, podemos progredir. Descobri que nossa liberdade não acontece sem passar pela angústia. Lembro de Sartre falando das nossas escolhas e de como imaginamos a sociedade desde nosso mundo, e de como nos moldamos pelo olhar do outro, de como temos medo de revelar nossas fraquezas através da convivência e que o outro se visto como nosso inferno pode, ou impedir de realizarmos nossos projetos ou pode também nos lançar além de nós mesmos, ou quem sabe em nós mesmos ocultos em nós.
 E querem saber se me desfiz de meu aquário? Não posso, descobri que sou meu aquário, ou seja, sou meus desafios e soluções e que os outros são ocasiões de novas possibilidades.

Obs.: A imagem utilizada nesta postagem nos apresenta Morgan, um homem que está preso dentro de um pote transparente e que vive uma série de dilemas ao tentar escapar dessa situação um tanto inusitada. Inspirado em “A Metamorfose”, de Franz Kafka. Esta animação é dirigida por Vanessa Gomes. O curta-metragem "Morgan" foi concebido como o resultado de uma ampla pesquisa teórica realizada com o seu trabalho de conclusão do curso de design oferecido pela Faculdades de Campinas (FACAMP).

15 abril 2018

Uma reflexão entre o mundo do fake news, o orgulho e o desafio de ensinar as regras da ABNT: Sobre o site Catraca Livre


Uma reflexão entre o mundo do fake news, o orgulho e o desafio de ensinar as regras da ABNT: Sobre o site Catraca Livre
por Tiago Lacerda

O texto que escrevo é uma reflexão sobre a importância de se produzir um trabalho acadêmico a partir das normas da ABNT. Eu sou professor universitário e exijo dos meus alunos trabalhos bem formatados e referenciados, e ainda escuto a cada entrega: "professor, qual a importância de colocar as referências ao final se o texto ou o autor foi citado no desenvolvimento?". Bom, esta pergunta já é suficiente para para eu saber que o aluno não diferencia uma citação de uma referência. Vamos lá! Citação é uma "menção de uma informação extraída de outra fonte" (NBR 10520, 2002, p. 1). Aos que possuem pouca intimidade com a ABNT podem se assustar com a sigla NBR (Norma Brasileira, aprovada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas), mas esta é a abreviação daquela e é como aparece nos documentos oficiais da ABNT seguida de seu número específico. Se eu mencionei uma informação que não é de minha autoria, o mínimo é citar a fonte colocando aspas no texto citado e a fórmula (SOBRENOME, DATA, PÁGINA), que possui algumas variações conforme o documento NBR 10520, 2002, p. 2. Quanto às referências, são um "conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento, que permite sua identificação individual" (NBR 6023, 2002, p. 2), não detalharei aqui os elementos da referência pois este não é o objetivo deste texto e isso pode ser pesquisado a partir do número do documento acima.
Então qual o objetivo do texto?
Se eu faço uma citação de um site, por exemplo, nas referências encontrarei o link que me remeterá ao texto para averiguação da citação utilizada. Poderei também saber mais detalhes do que o simples trecho apresentado na citação. Mas e se eu citar um site e depois o autor apagar? Passo por mentiroso, criativo (no sentido de inventar uma referência), ou despercebido, se o professor não procurou averiguar? Por isso é importante colocar as datas corretas. É sobre isso que quero falar.
No dia dois de abril de 2018 o site Catraca Livre publicou a seguinte notícia: "Professor viraliza com dicas para aplicar as regras da ABNT". Achei a notícia muito interessante, modesta parte, pois eu era o tal professor que postou, despretensiosamente em sua página do facebook, algumas imagens da UFPR para que seus alunos vissem e utilizassem. As imagens foram postadas e não modificadas, estavam com a fonte correta, conforme alguém da UFPR tinha elaborado. Isto foi na sexta-feira santa (30/03/18), no domingo me assustei com os números em minha página TG-DOXA, tinha quase três mil comentários e curtidas, mais de dois milhões de visualizações e mais de vinte mil compartilhamentos. Hoje este número é bem maior! Por isso o título da notícia do Catraca Livre.


Imaginem se alguém quisesse citar esta notícia, o que deveria fazer? Poderia mencionar o nome do redator que postou, o título da notícia, o nome do jornal etc. Mas se o aluno fizesse isso, não teria bons resultados, foi o que aconteceu comigo. Não era um fake news, era real, mas diante do sucesso de curtidas, e este é o mundo em que vivemos hoje, alguém a ideia de mudar o título da notícia. Pois quando eu cliquei no link, não era mais o professor que tinha viralizado, mas sim, a biblioteca! Não quero afirmar que seja orgulho ou outra coisa, mas de uma notícia verdadeira nascia um quase "fake news", disse quase porque ao trocar a palavra professor por biblioteca, tiveram que trocar também os números de curtidas e compartilhamentos que não ultrapassaram dez mil.


Mas alguém pode estar perguntado, o que isso tem a ver?
Se eu estiver falando de ABNT, tem muita coisa envolvida. Numa notícia que valoriza a utilização da fonte, há uma controvérsia ao mudar o texto. A viralização se deu pelo TG-DOXA, que já ultrapassou os três milhões de visualizações e vinte e cinco mil compartilhamentos, mas alguém "errou". Ou alguém solicitou créditos! Bom se alguém escreve um livro e não consegue publicidade e tempos depois, outra pessoa lendo o livro e anunciando-o na rede o faz estourar "de curtidas, vendas etc", o crédito da publicidade é de quem? O que não tira o crédito do autor do livro. E falando de referências, seu trabalho estaria errado, pois o título da notícia que anteriormente foi colocado, não existe mais!
Outro problema? Todos os que fizeram seu trabalho baseado no do colega sem atualizar o site, também seguiram o mesmo "erro", veja:

Fonte: Tem de Tudo

O site TEMDETUDO repostou e colocou os créditos, só que ele não compartilhou a notícia, mas a repostou o que fez que ficasse no "original", ou conforme a publicação anteriormente mudada.
Bom, não é fácil ser professor, mas é prazeroso quando acontece com a gente estes detalhes para mostrar ao aluno na prática as razões de citar e referenciar bem o seu trabalho para não passar vergonha.

Observação: Não entrei em contato com ninguém do site Catraca Livre para perguntar o que aconteceu, apenas decidi escrever este texto pois tenho material mais que concreto para continuar ensinando e motivando meus alunos sobre a importância de um trabalho bem organizado e referenciado.




REFERÊNCIAS DAS NORMAS DA ABNT CITADAS PARA CONSULTA:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: Informação e documentação - Citações em documentos - Apresentação. Rio de Janeiro, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: Informação e documentação - Referências - Elaboração. Rio de Janeiro, 2002.

11 abril 2018

Livro do professor Tiago Lacerda: Deus como problema filosófico na Idade Média



Natural de Coronel Fabriciano (MG), o professor Tiago Lacerda é graduado em Filosofia pela Faculdade Vicentina (FAVI), Especialista em Tutoria em Educação à distância  pela Universidade Cândido Mendes, mestre e doutorando em Filosofia pela PUC-PR. É professor de Filosofia do Direito, Ciência Política e hermenêutica na Faculdade Curitibana (FAC) e Faculdade Paranaense (FAPAR) e professor de Filosofia do Quadro próprio de Magistério da SEED-PR, no Colégio Estadual Pedro Macedo.
O professor Tiago Lacerda, lançou recentemente o livro: Deus como problema filosófico na Idade Média. Na obra, o autor apresenta análises de tópicos especiais de obras da Filosofia Medieval e algumas reflexões a partir de autores como Santo Agostinho, Boécio, João Escoto Erígena, Pedro Abelardo e São Tomás de Aquino.
O objetivo do livro perpassa pela busca da verdade e, associá-la à figura de Deus é um processo a ser construído paulatinamente por meio de muitas discussões. E nessa inquietante e infinita procura, muito já foi discutido em relação à figura de Deus. De Santo Agostinho a São Tomás de Aquino, a filosofia medieval está repleta de autores que se dedicaram a falar sobre o divino e que contribuíram de forma significativa para o estudo desse problema filosófico, tornando-se, até hoje, referência fundamental nessa área. Descubra neste livro diferentes interpretações e argumentos sobre essa questão e veja como temas tão complexos quanto o divino e o metafísico são estudados à luz da filosofia. O livro pode ser adquirido pelo site da Editora Intersaberes, ou se preferir, Clique Aqui!

25 fevereiro 2018

Deus como problema filosófico na Idade Média


Vem aí o lançamento da obra “Deus como problema filosófico”, do autor Tiago Lacerda. O livro apresenta diversas interpretações e argumentos sobre a figura de Deus, atrelada à filosofia medieval e a sua busca pela verdade. A busca pela verdade é o que leva o homem a refletir, pensar, questionar. E nessa inquietante e infinita procura muito já foi discutido em relação à figura de Deus. De Santo Agostinho a São Tomás de Aquino, a filosofia medieval está repleta de autores que se dedicaram a falar sobre o divino e que contribuíram de forma significativa para o estudo deste problema filosófico, tornando-se até hoje referência fundamental nessa área. Descubra nesse livro diferentes interpretações e argumentos sobre esta questão e veja como temas tão complexos quanto o divino e o metafísico são estudados à luz da filosofia.

Em breve estará disponível para vendas na loja virtual da Editora Intersaberes!

02 agosto 2017

Professor, como é a sua aula?

Professor, como é a sua aula?
Prof. Tiago Lacerda

É comum ouvir de alguns colegas, amigos ou até mesmo familiares, que a vida do professor é muito simples, ainda mais se o professor “só dá aulas”, vive somente disso. No imaginário do senso comum é só preparar uma aula e passar este conteúdo em sala, simples assim! Mas a vida real desta profissão não é bem assim que acontece. “Dar uma aula” não é apenas chegar em sala e expor o conteúdo, a aula vai muito além disso. E antes que eu me esqueça, não é por usar o verbo “dar” para entender que estamos lecionando que não gostamos de dinheiro. Vendemos nossas aulas como todas as profissões “vendem” o seu produto. Mas não podemos confundir “vendemos uma aula” com “nos vendemos numa aula”. Porque para alguns, tanto faz, se a aula foi boa ou não, o importante é o pacto de mediocridade: eu estou cansado então finjo trabalhar, enquanto eles fingem aprender.
Mas voltando ao ofício... nos bastidores da vida do professor há uma sequência de atividades que muitas vezes não são valorizadas, sequer conhecidas: preparar as aulas (isso já requer muita leitura e estudo, mesmo quando o professor já domina o assunto), elaborar as atividades e provas, pensar na didática específica para cada turma, escola ou nível de formação, e se até aqui você já achou bastante coisa, saiba que não é nem a metade do trabalho que será desenvolvido (não estou reclamando, apenas apontando alguns fatos). É preciso corrigir estas atividades e provas, verificar onde os alunos estão com mais dificuldades e retomar o conteúdo com novas abordagens para proporcioná-los uma nova chance de aprendizagem e muitas vezes isso pode não bastar, o que desanima muitos professores.
Ah, me desculpe, eu quase ia me esquecendo de dizer que estou me referindo a um bom professor que tem vocação para esta profissão e a desenvolve com entusiasmo mesmo diante da conjuntura atual, pode acreditar, além de dar aulas, também acompanhamos o que acontece no Brasil e no mundo. Agora, sim. Posso continuar...
Outra coisa que escuto muito entre os professores é: “quanto tempo você tem de sala de aula?”. De repente, se o professor tem menos de 10 anos de sala de aula ele vai ouvir de alguns colegas: “ahh, você é novo ainda, quero ver daqui uns anos se você terá esta disponibilidade toda...”. Convenhamos, é desanimador! Mas quando eu me propus escrever este pequeno texto, meu foco não era para estes professores desanimadores, mas sim, para aqueles que têm na profissão uma verdadeira vocação. E para aqueles que aspiram esta profissão, para que saibam que há professores e professores! Porque não é verdade que com os anos o desânimo toma conta e naturalmente o professor vai ficando relaxado. Não é verdade porque conheço e tive excelentes professores (não foram poucos e de alguns sou amigo até hoje) que mesmo próximos da aposentadoria me apresentaram determinação e uma alegria própria daqueles que fazem o que amam (vida profissional com leveza). Eu poderia te convidar para a seguinte reflexão: como é a sua aula? E enquanto você pensa nisso, não podemos nos esquivar das questões que perpassa pela profissão que é a má valorização pelo Estado, os baixos salários etc. Isso é algo real, mas não é o preponderante para que uma pessoa deixe de fazer o seu melhor.
E no mais, não há recompensa maior que ver o fruto de seu trabalho ser valorizado e reconhecido, mesmo que muito tempo depois, pelos alunos que em suas profissões recordam que tiveram alguns, na etapa formativa, que lhes deixaram marcas, deixaram pensamentos (presentes caros). Então, eu termino reforçando que, não é apenas uma aula, ou como alguns gostam de dizem, uma aulinha. E se não é apenas uma aula é o que então, professor? Isso só a sua consciência (e seus alunos, que não são tão bobos assim) que poderá dizer.



21 maio 2017

Resenha do livro de Jelson Oliveira: A solidão como virtude moral em Nietzsche




Resenha de Tiago Lacerda

A recente obra de Jelson Oliveira, A solidão como virtude moral em Nietzsche, nos apresenta uma ousada perspectiva de leitura do filósofo alemão. O próprio Nietzsche adverte que “quem sabe respirar o ar de meus escritos sabe que é um ar da altitude, um ar forte” (EH, Prólogo 3, grifo do autor). Por isso é preciso um preparo, perspicácia para adentrar na essência de suas obras e compreender de que água ele bebe – o que Oliveira fez com maestria e clareza ao tratar o tema da solidão como uma virtude, algo que em nossa sociedade não se encontra nos mesmos parâmetros.
O livro está estruturado em três capítulos que tratam da temática da solidão como uma virtude a partir do pensamento de Nietzsche. A leitura atenta e lenta de cada capítulo da obra leva-nos a compreender a análoga forma de apresentar o que é socialmente aceito e valorizado e o que realmente é um valor que leva o homem à altura, à liberdade e, por isso, à necessidade da solidão para se purificar de conceitos errôneos que distanciam o homem de sua própria natureza. Podemos extrair essas ideias já da introdução do livro, em que o autor apresenta as interpretações engendradas pelo filósofo alemão, o qual percebe a história do Ocidente como mergulhada numa experiência niilista, cuja exigência última seria a criação de novas bases para a moral, entendida como o caminho para a afirmação do homem. É em meio a essa problemática que se insere o tema da solidão como uma crítica ao processo de rebaixamento do homem ocidental e caminho para a elevação do humano a novos patamares morais.

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26 abril 2017

Resenha do livro: Para uma ética da amizade em Friedrich Nietzsche de Jelson Oliveira

Autor da Resenha: Tiago Eurico de Lacerda

Um livro escrito para amigos. É assim que Jelson Oliveira, logo na introdução de sua obra, inicia uma reflexão sobre a amizade a partir de um ponto de vista filosófico. Inspirado por Nietzsche, o tipo de filosofia praticada por ele não é aquela que se mantém distante da vida, mas sim, se enraíza nas vivências. E como na vida nada é tão retilíneo a ponto de manter uma estabilidade pura, da mesma forma o conceito de amizade apresentado pelo autor não se apoia nas concordâncias ou conforto de acordos, mas, no adverso, pois o autor afirma que “ao escolher um amigo, também auferimos um adversário”. E nessa transição paradoxal é que encontramos a beleza de toda a relação amical.

REFERÊNCIA:
OLIVEIRA, Jelson. Para uma ética da amizade em Friedrich Nietzsche. Rio de Janeiro: 7Letras, 2011. Resenha de: LACERDA, T. E. de. Para uma ética da amizade em Friedrich Nietzsche. In.: Revista de Filosofia: Aurora (PUCPR. Impresso), V. 24, N. 35, p. 663-669, 2012.

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Para uma nova compreensão da vida em Wittgenstein e Nietzsche


Para uma nova compreensão da vida em Wittgenstein e Nietzsche

Autores: Maurício Silva Alves e Tiago Eurico de Lacerda

RESUMO: O presente artigo mostra de forma simples uma reflexão sobre a vida que permeada de discursos contaminados pela metafísica se encontra afastada daquilo que realmente é o viver. O cotidiano e as vivências são apresentados como formas de se pensar o homem liberto de uma compreensão metafísica que é abordada por Wittgenstein e Nietzsche, ambos os autores retratam realidades mergulhadas em ideais. Apesar de não serem contemporâneos as semelhantes preocupações com a questão da linguagem e com a vida tomam corpo nos colocando diante de um embate que tem como escopo levar o homem a se tornar senhor de si mesmo, capaz de perceber as formas que o conduz à se perder deste norte.

REFERÊNCIA:
ALVES, Maurício Silva; LACERDA, Tiago Eurico de. Para uma nova compreensão da vida em Wittgenstein e Nietzsche. In.: Revista Observaciones Filosóficas. N. 17, p. on-line, 2013 - 2014. Diponível em: <http://www.observacionesfilosoficas.net/paraumanova.htm>

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