Pesquisar neste blog

05 agosto 2009

Cotidiano (poema de Tiago Eurico de Lacerda)


Cotidiano


Por Tiago Eurico de Lacerda


uma só dose é o bastante,
numa só taça há graça,
um só contato é fraco.
Se não há abertura, governante,
se se quer outros ares, praça,
se a dor é constante, chore.
Mas nunca deixe que seu palco desarme.
Se a madeira cair, outras virão.
Vinho bom, odre velho.
Vinho bom, odre novo.
Eu aqui e tudo de novo.

22 junho 2009

Meus gritos se calam (poema de Tiago Eurico de Lacerda)



Meus gritos se calam 

poema de Tiago Eurico de Lacerda


Quero e não faço, mas não sei o porquê.
Desejos e vontades ocultos,
Vida cercada por vidas
Quantas miradas!

Vejo, mas imagino que poderia ser mais.
Olhos fechados para o além,
As miradas disfarçam-se
O desejo vem.

Penso em sair, mas o lar é cômodo.
Penso em agir, mas me foge às mãos.
Calo e descubro que são apenas assombrações
Que em meio às constelações não querem me ver brilhar.

Se brilho creio que foi demasiado.
Se no escuro, choro a luz.
Quantas bobeiras me invadem
Quantas se esvaem.

Escrevo para não falar.
Quando falo não sei pronunciar.
Faltam-me palavras concisas
Sou prolixo lançado ao ar.

Falo de mais sem abrir a boca
Nunca me foi necessário, por que agora?
Meu olhar, minha voz se comunicam
E meus gritos se inflamam.

E meus gritos se calam
E meus gritos me malham
E meus gritos me assolam
E meus gritos se esvaem.

Popular Posts